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publicado em:1/08/18 1:28 PM por: Viana Patricio B Neto

Balanço recente (período 2015 – 2018) dos investimentos brasileiros em pesquisa, realizado para o IX SEPEPUR  – Seminário de Ensino, Pesquisa e Extensão em Estudos Urbanos e Regionais a partir de dados do CNPq, revelou uma substantiva queda em todas as quatro grandes áreas do conhecimento – Ciências da Natureza, Saúde, Engenharias/Exatas, e Humanidades, sendo que esta última foi a que teve os mais baixos investimentos, principalmente a partir de 2014. Com relação às bolsas de produtividade em pesquisa, destacaram-se também a notória estagnação no número de bolsistas e a perda de seu valor monetário, tendo em vista que não são reajustadas desde 2010. Esse quadro aponta clara desvalorização da Área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, além de gradativa ausência de recursos para bolsas de pesquisa, o que deverá agravar-se com a vigência da Emenda Constitucional nº 95 e o risco de que o orçamento, já pífio, não tenha perspectiva de aumento nas próximas décadas. Assim, o desenvolvimento de pesquisa na produção de conhecimento socialmente comprometido e o ensino superior público, entendido como patrimônio comum do povo brasileiro, encontram-se sob ameaça. O diagnóstico é particularmente crítico no que se refere à área de Humanidades, onde se situam os estudos urbanos e regionais, posicionados em crescente declínio de investimentos em pesquisa, bem como no reconhecimento científico de seu papel na produção de conhecimento crítico para o enfrentamento dos grandes desafios nacionais.

Por outro lado, este campo diversificou-se em programas de pós-graduação que cobrem atualmente todo o território nacional, ampliando suas fronteiras no diálogo e intercâmbio internacional de estudantes, professores e pesquisadores. Expressão desse crescimento é a expansão de entidades nacionais de pós-graduação que organizam o campo científico das diferentes disciplinas, e sua articulação com grandes associações internacionais, como por exemplo, a integração da ANPUR e de seus programas com o GPEAN – Global Planning Education Association Network e suas associadas nos cinco Continentes; a RIDEAL – Red de Investigación sobre Áreas Metropolitanas de Europa y América Latina e a RII – Red Iberoamericana de Investigadores sobre Globalización y Território.

Para discutir esse quadro e construir estratégias de articulação que possam fazer face aos desafios políticos e de reconhecimento científico e acadêmico do campo de estudos urbanos e regionais, a Diretoria da ANPUR propõe no âmbito do XVIII ENANPUR a mesa “Diálogos inter (multi e trans) disciplinares dos Estudos Urbanos e Regionais: o lugar das humanidades na ciência brasileira”,trazendo ao debate a contribuição da ANPUR e suas associações parceiras ABA, ABEPE, ANPARQ, ANPEGE e ANPOCS.





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