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publicado em:13/03/19 11:44 AM por: Viana Patricio B Neto

As grandes manifestações de 2013, que levaram às ruas cerca de 10 milhões de pessoas em mais de 500 cidades brasileiras, evidenciaram pelo menos duas coisas:

a) De um lado, a crise urbana, sobretudo na área de transporte e moradia (remoções maciças), mas também nos serviços urbanos de modo geral. Agudizada e visibilizada durante o ciclo dos megaeventos esportivos pela entrega despudorada dos espaços urbanos aos interesses de grandes proprietários fundiários, empreiteiras e interesses financeiros, esta crise vinha sendo gestada desde a metade da década de 1990, quando começaram a se impor entre nós o planejamento estratégico urbano, as parcerias público-privadas e as operações urbanas consorciadas.

b) De outro lado, a pouca capacidade da “esquerda tradicional” (organizada) – partidos, sindicatos, movimentos sociais organizados – de captarem o sentimento de insatisfação e revolta latentes e liderar ou, pelo menos, estabelecer um diálogo com as forças que naquele momento emergiam.

O golpe parlamentar-judicial que derrubou a Presidente Dilma Roussef, a ofensiva deflagrada pelo governo Temer contra direitos conquistados nos últimos 30 anos, o crescimento da uma extrema direita cada vez mais agressiva, a eleição do Capitão Bolsonaro, eis fatos que sinalizam o ingresso num novo período histórico, que, se expressa uma tendência que se afirma em nível internacional, têm suas especificidades e raízes também em escalas nacional e local.

A esquerda tradicional (organizada) mostrou-se frágil e incapaz não apenas de evitar a derrota, mas até mesmo de opor-lhe uma resistência minimamente consistente. Mas, contraditoriamente, ao mesmo tempo, assiste-se, por toda a parte, ao crescimento do que se poderia chamar de ‘esquerda social”: movimentos, grupos, coletivos que, nos mais diversos formatos e modalidades, desenvolvem uma permanente e incisiva luta cultural no terreno do tecido social – o mesmo terreno que foi sendo progressivamente abandonado pela esquerda organizada.

Grupos de teatro, saraus de poesia, coletivos identitários, museus locais, grupos de hip-hop, muitas são as práticas inovadoras, não institucionais, contra-hegemônicas que emergem dessa “esquerda social”, muitas vezes qualificada de apolítica e espontaneísta. Trata-se, com efeito, não apenas de novas linguagens e formas de expressão, mas de uma nova dinâmica e novos atores da cena e das lutas urbanas.

Esta sessão tem por objetivo organizar uma roda de conversa, colocando em diálogo alguns acadêmicos que acompanham as lutas urbanas e alguns militantes representativos dessas novas experiências de luta e organização populares.





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