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publicado em:2/12/18 7:59 AM por: Viana Patricio B Neto

Resumos da sessão

O número especial sobre Paradigmas tecno-econômicos e reconfiguração territorial

Aristides Monteiro Neto – IPEA e editor convidado da RBEUR

Rovena Negreiros Ferreira – Fundação SEADE e editora convidada da RBEUR

A temática proposta parte da premissa de que, nas duas últimas décadas, diferentes nações vêm passando por importantes transformações nas suas estruturas produtivas, a partir de mudanças fundadas nas tecnologias do conhecimento e comunicação (TICs). Com isso, vislumbram-se impactos na organização territorial não somente das atividades produtivas, como também na configuração das cidades ou nas redes de cidades. Até os anos recentes, especialmente no caso brasileiro, foi a dinâmica industrial fordista que comandou a ocupação do território nacional, a partir de São Paulo. No momento presente, indaga-se se a economia nacional será capaz de incorporar esse novo padrão tecnológico, caso em que a nova indústria poderá ou não promover um novo ciclo de desenvolvimento econômico para o país. Indaga-se também quais os impactos que ela poderá produzir sobre as cidades e os cidadãos. Nesse ciclo, quais tendem a ser os rebatimentos territoriais das atividades produtivas?

O interesse no aprofundamento desta temática decorre da necessidade de identificação de vetores tecnológicos e territoriais em curso no país. O Brasil passou por ciclos ascendentes de crescimento em diferentes períodos, os quais contaram com atuação ativa do Estado na consolidação de estratégias de desenvolvimento regionalmente distribuídas – de um lado, pela viabilização direta de projetos de investimento e, de outro lado, pela ampliação do financiamento ao setor produtivo por meio de crédito público federal. Entretanto, tal atuação não foi bem-sucedida em reorientar o setor produtivo, por meio da política industrial e tecnológica, a dar saltos tecnológicos e a aumentar sua competitividade internacional. Além disso, nos últimos anos, o crescente protagonismo da iniciativa privada em parceria com o Estado impõe o necessário mapeamento dos dilemas e rotas existentes na estrutura produtiva de modo a se compreender os elementos que regem a dinâmica das suas transformações no território.

As transformações tecnológicas e produtivas em direção à adoção de tecnologias de informação e comunicação (TICs) são um fenômeno do capitalismo global e não estão restritas ao Brasil. Contudo, a forma como este fenômeno se processa no país e em suas regiões tem sido relativamente diversa. Na região Sudeste e em São Paulo, nota-se que há uma reorganização produtiva com sinais de perda de peso da indústria. Em regiões como Centro, Norte e Nordeste, processos de crescimento industrial são percebidos ora por conta do estímulo das commodities (CO e NO), ora por força de atuação governamental (NE). Que sentido adquirem as disparidades inter-regionais num cenário de forças instáveis e pouco previsíveis? Propõe-se ampliar a reflexão sobre as possíveis respostas regionais e do país como um todo aos processos de mudanças em curso.

Corrida científica e tecnológica e reestruturação produtiva: impactos geoeconômicos e geopolíticos

Clélio Campolina Diniz – FACE/UFMG – palestrante

Ana Cristina de Almeida Fernandes – PPGEO/UFPE – debatedora

O crescimento acelerado da economia chinesa e de outros países asiáticos vem ampliando a participação daquele bloco na produção e no comércio internacional de manufaturas. Esse processo altera a geografia econômica e a ordem global, provocando forte desafio ao capitalismo ocidental, que se encontra em crise estrutural e busca recuperar sua posição relativa. A competição entre os dois blocos é condicionada por uma acelerada corrida científica e tecnológica. Ao contrário, o Brasil vem passando por rápido processo de desindustrialização e de redução dos investimentos em P&D, cujo processo poderá comprometer, também, a desconcentração produtiva em curso. A difícil recuperação industrial e a preservação do processo de desconcentração regional exigem a montagem de uma nova e agressiva política industrial, com ênfase em ciência e tecnologia, na consolidação dos projetos em curso e no aproveitamento das potencialidades regionais.





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