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publicado em:21/05/18 2:14 PM por: Viana Patricio B Neto

O bairro do Alecrim é lugar de múltiplos usos, de diversidade social e vitalidade econômica. Desde o século XIX, é área de residências populares, de comércio de rua e de comércio formal, atraindo pessoas de todas as partes da cidade em busca de produtos baratos, oportunidades de emprego e renda, e dos serviços ofertados. Identificado como popular (em oposição às áreas de Shopping Center), seu centro comercial assume formas diferenciadas de apropriação – cada m2 sendo disputado por camelôs, comerciantes, lojistas, interessados no grande movimento pedonal e no cruzamento de linhas de transporte coletivo. Sua feira, existente desde o início do século XX, é um atrativo à parte, ocupando uma das avenidas principais e mobilizando centenas de feiras e atraindo milhares de usuários todos os sábados. Ao mesmo tempo em que apresentou transformações em relação à ampliação e à diversificação do seu comércio, passou também a abrigar formas mais intensas de atividades informais, especialmente relacionadas aos camelôs e à venda de produtos made in China. Esta vitalidade, por outro lado, guarda vários problemas urbanos e sociais; as dificuldades de circulação, a irregularidade urbanística e as formas de apropriação do espaço público e privado geram conflitos com normas e posturas municipais, ao mesmo tempo que dificulta o tratamento adequado dos seus espaços. Como se dá a relação entre as diversas formas de apropriação e os usos do Alecrim em seus espaços públicos? Quais conflitos e potencialidades essa área tão ativa carrega? É possível pensar intervenções que qualifiquem esse espaço e mantenha a sua vitalidade e o seu perfil popular? Tais questões insurgem em momento em que uma proposta da Prefeitura do Natal passa por ações de privatização, alteração do desenho urbano e formação de “parcerias” com empresas privadas. Propostas que alteram e se reapropriam dos espaços coletivos trazem novos riscos à histórica diversidade do bairro? Desse modo, o objetivo da Oficina é gerar uma reflexão sobre a dinâmica urbana do Alecrim no presente, visando sistematizar conhecimento acadêmico e questões propositivas que contribuam para a agenda dos movimentos sociais mobilizados principalmente em defesa dos direitos dos comerciantes informais do Alecrim, na perspectiva do Direito à Cidade. Nesse sentido, a Oficina será desenvolvida em dois momentos: 1) no turno da manhã será realizado um percurso nas principais ruas do bairro, com observações e registros sobre as atividades e, principalmente, sobre a forma como as pessoas ocupam o espaço, bem como sobre os modos de sociabilidades decorrentes de tal ocupação. No local, haverá diálogo com representações dos comerciantes informais e com grupos e organizações sociais mobilizados na defesa de direitos no bairro do Alecrim; 2) no turno da tarde, após o almoço, que será no bairro do Alecrim, os participantes da Oficina irão se reunir em uma sala localizada no local do evento da ENANPUR, onde serão apresentados resultados de pesquisa sobre o comércio informal do Alecrim, além de dados sobre o Projeto de Reestruturação Urbana, proposto pela Prefeitura do Natal. Em seguida, reunidos em grupos, serão realizados apontamentos e reflexões sobre pesquisas relativas à problemática do Alecrim, além de ações propositivas, que contribuam para a agenda dos movimentos sociais em luta pelos direitos urbanos no bairro. 

 

ATIVIDADE REALIZADA NO SÁBADO, DIA 25 DE MAIO DE 2019.

 

NÚMERO DE VAGAS: 40.





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